Lá vou eu falar a respeito de assunto polêmico: aborto.
Quem não tiver telhado de vidro, pode tacar pedra.
Acho importante, antes de tudo, diferenciar algumas coisas.
Primeiro: nenhuma mulher acha divertido fazer um aborto ou vai escolher essa opção ao invés de uma pílula anticoncepcional. Ninguém vai querer engravidar e abortar toda semana. Questão de lógica, né, gente. Aborto é algo que mexe com o organismo. E com o psicológico. É, literalmente, a última opção da mulher. Se não tem jeito, não tem outra forma, aborta. Não é brincadeira nem algo corriqueiro.
Segundo: uma coisa é o direito ao aborto. Outra coisa é defender o aborto. Eu defendo o direito ao aborto. Ou seja, que haja essa opção para as mulheres. Porque devemos ter essa opção. Sejamos realistas: se todas as crianças que são concebidas viessem ao mundo, a raça humana já estaria sofrendo com a super população. Já estamos no limite de nossos recursos naturais. E não há outro planeta para habitarmos. O controle de natalidade é necessário e urgente. Se a criança vai nascer ou não, deve ser decisão da mãe e do pai. Na maior parte desses casos, só da mãe, porque o pai foge à responsabilidade. E depois que nasce, quem sustenta? O Estado? A Igreja? Aí todo mundo some, não é verdade?
Deve existir a opção de ter o filho. E de não ter. Cabe a cada mãe poder escolher. Hoje em dia essa escolha não é dada. A maternidade é imposta a essas mulheres. Às que não tem dinheiro para abortar cladestinamente, quer dizer. Ou alguém aí é inocente a ponto de acreditar que quem é rico não faz aborto?
Não consigo dizer a vocês se eu abortaria ou não. Hoje em dia, não. Mas quem é que sabe do futuro? Não defendo o aborto. Mas toda mulher deve ter direito a fazê-lo, de forma segura, com acompanhamento médico.
Terceiro: anencéfalo não deveria nem estar incluído nessa discussão. Não é um bebê. Não nascerá. Apenas a mãe terá consciência daquele “filho”. O “filho” jamais saberá do que está acontecendo. Não tem cérebro. Não sente. Quem sofre é a família e apenas a família. A mulher se submete a um parto desnecessário. Corre risco de morte. Para… nada. À toa. Vira literalmente um caixão ambulante. Deprimente. Sofrível. Absurdo. Desnecessário.
Tendo exposto minha opinião, espero que hoje o STF tome a decisão mais humana. Mais lógica. E mais óbvia. Pensando em termos de proteção à mulher e de saúde pública.